O cordel é a mais expressiva manifestação cultural nordestina de todos os tempos. Com a sua beleza nas rimas metrificadas, o cordel vai acompanhando o ritmo acelerado das mudanças políticas/sócio/culturais, econômicas e tecnológicas, sem perder sua originalidade.
Com a sua linguagem simples, vem ultrapassando barreiras culturais e comportamentais, deixando o meio rural, as feiras livres, cruzando os portões das escalas e universidades, como uma das alternativas para as pesquisas nos cursos de pós-graduações e uma ferramenta necessária para a formação de novos leitores no ensino aprendizagem.
Os novos cordelístas, absorvem nas suas temáticas, assuntos que hoje ocupam o maior espaço nos meios de comunicação de massa. A política nacional com os seus escândalos, as guerras, as questões ecológicas, as doenças, o combate às drogas, além de outros temas. São levados às escolas, em uma linguagem poética cheia de humor e beleza, muito mais aceitável pelos novos leitores, do que os panfletos informativos.
Com isso, não quero dizer que, os cordéis e cordelistas que ainda abordam em suas temáticas, assuntos menos polêmicos, sejam menos importantes. Pois o cordel tem um público muito eclético, em faixa-etária e nível cultural, sem contar com o regionalismo diversificado do nosso país.
Atualmente a literatura de cordel ultrapassou as fronteiras regionais e alcançou as grandes metrópoles como São Paulo, não só para ser vivenciada nas ruas por milhões de nordestinos que emigram a cada ano, nas, para ser estudada nas escolas pelas novas gerações descendentes de emigrantes de todos as regiões brasileiras e porque não dizer, mundiais. Em São Paulo estão estudando literatura de cordel em sala de aula. A cidade de João Pessoa, sediou a primeira etapa do Seminário Internacional de Literatura de cordel e a segunda etapa será realizada na França. Isso mostra que, “OS NOVOS RUMOS DO CORDEL,” vai bem mais longe do que os nossos eventos culturais na Praça da Bandeira, na Casa do Poeta Cantador, ou em outros ambientes onde a maioria dos participantes é nordestina.
Com as novas tecnologias na área de comunicação, o cordel encontrou um espaço on-line, onde pode ser visto por internaltas do mundo inteiro. Porém, devemos ter cuidado para não estarmos classificando de cordel, tudo que se escreve em linguagem popular. O cordel tem suas características específicas e originais que não podem ser esquecidas jamais pelos que querem seguir a modalidade cordelista.
Uma das novidades na literatura de cordel é a presença feminina, não só como leitora, mas, como autora de cordel, o que fez se abrir novos horizontes nas temáticas cordelistas.
Hélvia Callou
Professora da Rede Municipal de Campina Grande-PB
Jornalista, poetisa e cordelista
