Arquivos ◊ julho, 2009 ◊

23 jul 2009 A cultura popular como precursora da discriminação
 |  Categoria: Sem categoria  |  Leave a Comment

           Por ser uma cultura de  raízes, é que a cultura popular mostra o preconceito e a discriminação contra a mulher  e o negro, em seus provérbios e ditos populares. Citamos a qui alguns deles:

“Mulher feia e jumento só quem procura é o dono”.

“Negro em pé é um toco, deitado é um porco”

“Mulher é para esfriar o bucho na pia e esquentar no fogão”

“Jesus apareceu primeiro a mulher para que ele espalhasse a notícia”

“Negro não morre desaparece”

 “Negro só é gente quando está no banheiro” porque quando batem ele diz: – “tem gente!”

      Na literatura de cordel, nos desafios de viola é comum se encontrar sextilhas e quadras de puro preconceito contra principalmente o negro e a mulher. Vejamos algumas:

“No rio grade do norte

Um cavalo  é cem mil reis,

Uma moça cento e vinte

Um rapaz é cento e dez

Um cachorro é um cruzado

E um negro duzentos reis.”

 

“ Quero que você me diga

 de que se gerou mulher?”

 “ Foi de pulga percevejo,

  Procotó bicho de pé.”

          Esses preconceitos em forma de brincadeira dentro da literatura popular, mostram uma forma sutil de transmissão do que está enraizado de geração em geração. Mesmo na brincadeira é uma forma de discriminação.                                                        

          Se olharmos para o universo, podemos observar que as coisas são diferentes e mutáveis. Existem rosas de todas as cores, uma mais bonita do que a outra, mais não deixa de ser rosa. Na nossa sociedade também tem gente diferente um dos outros, mas muitas vezes esquecemos que cada um tem um nome e chamamos-nos pela forma do seu corpo, pela cor e o pior é que não respeitamos essas diferenças, isso porque na sociedade a aparência é considerada um pré-requisito já exigido na ficha de cadastramento para um emprego.

            Sabemos que o povo brasileiro é fruto de uma miscigenação, mas ainda existe discriminação da cor, de costumes e religião, entre as três raças.

            E como boa aparência para a sociedade é padrão de beleza, as pessoas viraram bens de consumo e vale mais que tem mais, tem mais oportunidades que tem essa “boa aparência”.

            Quando se estabelece normas e padrões sociais, aparece a desigualdade e exclusão social dentro dos grupos e isso está sendo visto com normalidade. Quando se faz um concurso limitando  faixa etária  não se estaria excluindo os mais velhos desse grupo de trabalho? No mundo do trabalho  a discriminação racial e de gênero é visível. Uma herança do Brasil colonial que ainda hoje permanece entre o povo  brasileiro.

            Mas como conviver com as diferenças sem discriminá-las ou excluí-las? O primeiro passo é respeitar essas diferenças, começar a olhar para o outro sem preconceito. Todos somos iguais perante a lei, embora casos absurdos continuam acontecendo; na rua, no trabalho, no transito, na escola. A mulher e o negro são os principais  alvos para essa discriminação. A mulher porque está ocupando postos antes destinados só aos homens, e o negro porque a maioria dos brasileiros é racista.

             É preciso que as pessoas diferentes, não tenham vergonha de ser diferente, muitas vezes eles são os maiores preconceituosos,  por exemplo: uma mulher dizer que não comfia em determinada profissão que seja executada por  mulher, um deficiente usar essa deficiência pra se mostrar inferior aos demais, o negro se declarar moreno, tudo isso são situações que nos mostra que não aceitamos nossas diferenças e até gostamos de nos sentir inferior ao demais.

                     Para sermos respeitados é necessário respeitar o outro. Não é preciso ser igual para conviver bem, basta que haja respeito mutuo.

                                         Autora:  Hélvia Callou